Aqui jaz um coração. Daqueles a moda antiga. Daqueles corações que davam um pulo ao andar de mãos dadas e que se acalmava com beijo na testa. Aqui jaz um coração, daqueles que amou demais, demais, demais e nem sempre recebeu tanto amor assim. Coração burro. E machucado. Agora ele descansa. Agora ele não fica agitado quando cruza com aquele olhar. Porque foi aquele olhar que gelou tudo aqui dentro. Aquele olhar que fazia ele feliz foi o que machucou tanto, tanto, tanto até querer desistir. Foi esse amor que o deixou inquieto por dias, mas depois sem mais nem menos foi embora e deixou apenas uma tranquilidade que chega até ser insuportável conviver com ela. Eu estou sozinha, sempre estive. Eu só não queria enxergar isso. Fui burra a ponto de me apaixonar pelo primeiro idiota que vi. Agora fico aqui, sozinha, esperando a tristeza ir embora, me lembrando do que já se foi e com medo do que ainda pode vim. Me apeguei tanto a coisas pequenas como o seu sorriso e palavras que não deveriam ter nenhuma importância, que agora me encontro em um abismo de mim mesma, tentando reconstruir ao menos parte do que me foi tirado. Mas sou boba por achar que não sofreria. Da próxima vez também será assim. Vou me apegar a pequenos detalhes, gostar e talvez amar, depois sofrer, chorar, me reestruturar e recomeçar a viver. Esse é o meu ciclo vital. Eu morro e renasço várias vezes ao longo da vida, porque morrer já tornou- algo mais que normal pro meu pobre coração. Já cansado de sofrer, resolveu aquietar-se e virar rocha congelada. Agora está duplamente protegido. É assim, ficará. Não apenas pela dor, também pela consequência dela, tentar amar duplamente não é e nunca foi fácil pra alguém por isso és de primordial interesse que tenhamos de conjurar este amor, e deixar este coração protegido contra qualquer tipo de sofrimento causado, pelo tão conhecido amor.
Ana Luiza + Caroline + Juliana + Ana S. (Escritoras de Bordel)
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